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Vazios, templos budistas se reinventam no Japão

09 de September de 2026 0 leituras
Vazios, templos budistas se reinventam no Japão
Foto: TimePRO TV / Pexels

A construção de 370 anos apresenta todas as características de um templo japonês de estilo clássico, desde o telhado curvo até as paredes com estrutura de madeira, passando pelo espaçoso salão de oração com tatames e pelo altar decorado com ricos detalhes.

Situada em jardins bem cuidados na Península de Chita, no centro do Japão, a propriedade de 350 metros quadrados está à venda por 482 milhões de ienes (R$ 15,8 milhões). A descrição da imobiliária indica que o preço inclui a desmontagem por "artesãos especializados em patrimônio cultural" e o transporte para qualquer local do país, onde pode ser totalmente restaurado, transformando-se em uma "deslumbrante" residência de dois ou três quartos.

A venda e a remoção do templo marcam o fim de seu papel na comunidade local, nas colinas acima do distrito de Nagasawacho. No entanto, esse destino é melhor do que o de muitos locais de culto em todo o Japão.

Há cerca de 77 mil templos em todo o país, mas a redução das congregações e as pressões financeiras fizeram com que aproximadamente 17 mil já não tenham mais um sacerdote residente em tempo integral – especialmente em distritos rurais que vêm perdendo moradores rapidamente.

Isso significa que muitos templos estão sendo vendidos ou simplesmente fechados e deixados à própria sorte, deteriorando-se silenciosamente.

De volta à vida

Há uma década, Tomomi Iwayama assumiu o comando do templo Ganshu-ji, que estava abandonado em Odawara, cidade costeira a cerca de 80 quilômetros de Tóquio. Hoje, ele é o abade de uma congregação em crescimento.

"O templo ficou sem abade por 70 anos antes de eu chegar, porque era muito difícil mantê-lo funcionando, e só agora consegui colocá-lo de volta nos eixos financeiramente", conta ele à DW.

"Mesmo em uma área urbana relativamente grande como Odawara, que tem cerca de 200 mil habitantes, tem sido muito difícil", afirma Iwayama. "Na zona rural, é muito mais difícil."

Para Iwayama, o maior problema é o declínio populacional do país. O número cada vez menor de fiéis e a queda na demanda por funerais e outros ritos tradicionais tornam mais difícil financiar a manutenção do templo. O abade vem se empenhando em se aproximar da comunidade local e tem obtido sucesso na venda de lotes no cemitério do templo.

Uma inovação que tem atraído atenção é o "cemitério inteligente" do templo. Ele possibilita que as famílias escaneiem um cartão que possibilita que as cinzas de um parente sejam retiradas do columbário por um sistema robótico.

Mas os templos nas áreas rurais do Japão enfrentam desafios muito maiores, afirmou ele.

"Os jovens das aldeias costumam partir para cursar faculdade e, depois, encontram um emprego em uma das grandes cidades, por isso raramente voltam", pontua ele. "Talvez voltem uma vez por ano para prestar homenagem aos ancestrais no templo da aldeia, mas isso não é suficiente para o templo se sustentar."

Da mesma forma, quando o sacerdote-chefe de um templo rural se aposenta, é improvável que os filhos dele queiram sucedê-lo no cargo devido aos desafios envolvidos. Com muita frequência, disse Iwayama, o resultado é o fechamento do templo.

Mas ele nega a sugestão de que a religião no Japão esteja seguindo o mesmo caminho que no Ocidente, onde o número de fiéis cristãos caiu drasticamente ao longo das últimas décadas.

Demanda pelo budismo continua

Segundo Iwayama, ainda há muita demanda pelo budismo no Japão. O religioso compara o ritmo acelerado e a vida centrada na tecnologia que as pessoas costumam levar com a serenidade que muitas vezes buscam. "O budismo é um estilo de vida, o de uma pessoa iluminada", resume. "Muitas pessoas estão buscando isso. E, embora os rituais tradicionais de funerais e aniversários estejam em declínio e as receitas financeiras caindo, estamos percebendo que mais pessoas querem participar de aulas de culinária tradicional do templo, meditação e outras atividades que podemos oferecer."

Os templos que não conseguem se adaptar para oferecer experiências mais em sintonia com o Japão moderno correm o risco de fechar, afirma Joey Stockerman, um dos fundadores do serviço imobiliário online Mokomoko.

"Já tivemos um templo no nosso site e fomos procurados por um potencial comprador estrangeiro. Logo, certamente há interesse quando essas propriedades ficam disponíveis", diz.

Outros estrangeiros que residem no país há vários anos também estão se empenhando para proteger o patrimônio religioso do Japão para as futuras gerações. O jornalista e escritor americano Jake Adelstein é atualmente sacerdote no Templo Zenshoin, no distrito de Toshima, em Tóquio, e está estudando para se tornar abade.

"Não acho que os japoneses estejam se tornando menos religiosos; acredito que o número esteja diminuindo devido ao declínio populacional e que [os templos] estejam ficando menos ricos por causa da situação econômica", acrescenta Adelstein.

"As famílias querem manter o jazigo que possuem há gerações, mas, para muitas delas, a manutenção é simplesmente muito cara, e muitas vezes moram muito longe, de modo que não conseguem visitá-lo regularmente para prestar homenagem", diz.

A taxa anual de um túmulo pode chegar a 100 mil ienes (R$ 3,2 mil), enquanto os velórios e outros rituais podem representar um ônus financeiro adicional, explica ele.

Juventude evita carreiras religiosas

De acordo com Adelstein, os mais jovens não se interessam pela carreira de sacerdote porque os templos dão muito pouco dinheiro. "Por isso, há vagas que não conseguem ser preenchidas, e isso é um problema especialmente no interior", diz.

Alguns templos unificaram suas atividades e compartilham um sacerdote, mas isso, segundo ele, se tornará mais difícil no futuro.

Assim como em outros lugares, o Templo Zenshoin começou a oferecer aulas de culinária vegetariana e sessões de meditação zen para atrair a comunidade local, e Adelstein espera que isso seja o suficiente para manter o templo aberto.

"A formação para se tornar um abade é muito difícil, e a situação financeira de um templo hoje em dia muitas vezes simplesmente não ajuda, mas vejo isso como uma parte essencial dessa sociedade e dessa nação", conclui.

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Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.dw.com.

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